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Dívida no cheque especial de empresas da Paraíba é a maior em nove anos, aponta BC

O volume de recursos utilizados por empresas em cheque especial e conta garantida na Paraíba chegou a R$ 415,9 milhões, segundo dados do Banco Central do Brasil. O número mais recente, relativo a junho de 2025, é o maior em 9 anos e dois meses, ou seja, desde abril de 2016. Em apenas um ano a alta foi de 23%. O cheque especial empresarial é considerado uma das formas de financiamento mais caras do mercado.

Por se tratar de uma linha de crédito rotativo e de curto prazo, especialistas apontam que o aumento pode refletir tanto a necessidade de capital de giro quanto o ambiente de crédito mais restritivo, marcado por taxas de juros elevadas, o que tende a prolongar o uso de linhas mais caras ao longo do tempo.

Para a Analista de Desenvolvimento de Negócios da Central Sicredi Nordeste, Jussara Marques, o uso do cheque especial por empresas deve ser visto como um recurso emergencial. “O cheque especial empresarial cumpre um papel importante na gestão de curto prazo, principalmente para cobrir descasamentos de caixa. Mas ele não deve ser utilizado como fonte recorrente de financiamento, justamente por ter um custo mais elevado em comparação com outras linhas disponíveis no mercado”, afirma.

Dados do Sicredi indicam que o crédito comercial na Paraíba tem avançado entre os associados. O saldo cresceu 19% e alcançou R$ 702,6 milhões em 2025, refletindo maior demanda por crédito e diversificação nas modalidades utilizadas pelas empresas. Diferentemente do levantamento do Banco Central, que considera apenas o uso do cheque especial em todo o sistema financeiro, esse resultado abrange diversas linhas de financiamento empresarial.

Para Sérgio Guedes, CEO da SIR Investimentos, boas práticas como estruturar reservas, proteger o capital, diversificar fontes de receita e planejar investimentos são estratégias essenciais para evitar recursos como o cheque especial, que comumente leva ao endividamento – e, quando há um bom planejamento, construir um fluxo de caixa e fazer o dinheiro render.

“Empresas que desejam crescer de forma sustentável precisam ir além da busca por faturamento imediato. Estruturar reservas financeiras e desenvolver mecanismos de proteção patrimonial, investindo os recursos estrategicamente, ajuda a atravessar períodos de instabilidade sem recorrer a crédito caro ou ao cheque especial”, explica Sérgio.

Segundo Jussara Marques, os números demonstram que existem alternativas mais adequadas para empresas que precisam de crédito com maior previsibilidade. “Quando a empresa passa a acessar linhas mais estruturadas, ela consegue planejar melhor o fluxo de caixa e reduzir a dependência de soluções emergenciais. Isso contribui para uma gestão mais sustentável no médio e longo prazo. O ideal é que o empresário avalie o tipo de necessidade antes de contratar o crédito”, explica.

A especialista reforça que a educação financeira é um ponto central nesse processo. “Entender o custo efetivo de cada operação, comparar alternativas e alinhar o crédito ao objetivo do negócio são práticas essenciais. O crédito deve ser um aliado do crescimento, e não uma solução permanente para desequilíbrios financeiros”, conclui Marques.

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